Ele há coisas que não sabemos explicar. A história que se segue passou-se e, agora, decorrido algum tempo, achei que seria interessante mostrar como uma série de coincidências nos podem marcar psicologicamente. Depois disto, continuo sem saber explicar mas, o tempo passou e, a vida, continuou nos seus parâmetros normais, tão normais quanto possível.
“ Não tenho por hábito ver as horas no telemóvel. Mas, como estava em cima da minha mesa de trabalho, calhou olhar para ele, em determinado momento e, sem a intenção de querer ver as horas. Marcava 11:11. Achei engraçado. Mas, olhei para a data, logo por baixo e reparei: 11-11-2009. Tanto 11?! Automaticamente, na minha cabeça, associei 2009 a 11: 2+9=11.
Mesmo que diga que não sou supersticioso, algo me agitou. Um sinal? Que coisa...
Decidi jogar no Euromilhões. Porque não? Mas, com que números? E, tal como nada é lógico nos jogos de Fortuna ou Azar, comecei a escolher números com uma lógica sem lógica. De 2009 tirei o 20 e o 9. Depois, como sobravam só “uns”, juntei os pares horas e os pares data. Ficou 11 11. Lembrei-me de uma linguagem binária e transformei o binário 11 em digital 3 e o binário 11 11 em digital 15. E, já tinha os números 20,9,3,15. Agora, quantas vezes aparece o binário 11?
4! Quanto dá 4xbin11 (dig3=bin11)? 12! 12 também é o valor da soma de 255 que é a soma dos parciais do binário 11 11 11 11: 128+64+32+16+8+4+2+1=255... quem sabe de código binário entende o raciocínio lógico. Quem não sabe, não tente entender porque isto não tem lógica.
Qual o número em evidência? 11!
Sendo assim, encontrei os números 20, 9, 3, 15, 4, 12, 11. Que lógica? Nenhuma.
Como nada é lógico, deu-me para... somar estes números. E... deu 74. Ora, 7+4=11! Outra vez o raio do 11.
Peguei no único boletim que tinha perto, do Euromilhões e, preenchi-o, escolhendo ao acaso quais os que seriam números e quais as estrelas, desde que estas últimas teriam de ser menores que 10. Como não costumo jogar no Joker, ia pôr a cruz no quadrado respectivo mas, hesitei e olhei para o número do Joker desse boletim... 4122803... dá, pela prova dos nove, 4+1+2+2=9=0, 8+3=11 e 1+1=2. E, lá estava o 11 pelo meio.
Comecei a ficar ansioso. O número 11 nem sempre o relacionava com bons finais e lembrei-me de duas datas marcantes: 11 de Setembro e 11 de Março..., isto é, 11/3 e 11/9
Decidi, por descargo de consciência, colocar a cruz no sim do Joker. Já agora, que estava na onda idiota de um 11 que não entendia, fui à rua para preencher também, um boletim do Totoloto, com os mesmos 7 números e Joker. Só o desenho da configuração dos números no boletim seria motivo para eu o rasgar. Muito simétrico, muito direitinho, a formar uma seta para cima em que um dos números aparecia desfasado no seu interior. E que número? Claro, tinha de ser, a porra do 11.
Entreguei os boletins na papelaria habitual e, a minha boca abriu-se quando o indivíduo me pediu... 11,00€. Nem mais nem menos, certinhos!
Pensei que já era demais. Comecei a ficar bastante preocupado. As coincidências já ultrapassavam o chamado limite normal daquilo que se chama o número de coincidências por facto.
Já só faltava que a hora de entrega desse 11, pensei. Olhei para os talões, em vista rápida, e não vi onde estivesse a hora de registo. Mas, quando sobrepus as folhas dos talões, uma parte de um número aparecia por baixo do 1º talão. Era a hora de registo do jogo, ao segundo: 17:10:02. E, somando..., dá... 11.
Entrei em pânico. Peguei no telefone e falei para toda a família. Está tudo bem? Perguntei a cada um e, todos acharam estranho aquela directa seca e incisiva. Mas, pela minha cabeça passaram os piores filmes da minha vida, os piores pensamentos.
Mas, estava mesmo tudo dentro da normalidade. A alimentar esse mau presságio, o meu computador de serviço decidira “arrear” no dia anterior, sem me deixar trabalhar neste dia. E, se ele é bem velhinho e pastelento, por vezes conflituoso mas, com um pouco de jeito e alguma boa vontade sempre lá ia andando. Mas, desta, não me deixava... trabalhar. Deixava-me aceder a campos vários mas, trabalhar, isso não. E, nem os “desgraçados” da informática o tinham conseguido ressuscitar. Pensei que era desta vez que a nossa “amizade” de longa data terminava.
O resto do dia foi de uma ansiedade atroz, um receio do desconhecido.
Pensei numa frase já ouvida vezes sem conta. “Eu não acredito em bruxas mas, que as há, há!”
Depois deste episódio, fiquei no meu silêncio, no meu mutismo, a aguardar o que poderia acontecer. Tanto esperava que o sol brilhasse intensamente como estava à espera que o Mundo desabasse. O sol não brilhou mais que o normal, o mundo não desabou e... de Euromilhões nem uma terminação...
Mas, os dias foram passando e, nada de especial aconteceu. Apenas ficou a história daquele dia 11 e dos 11s que se lhe seguiram. Daquelas histórias que creio que jamais vou esquecer.
Se houver alguém que consiga explicar que isto não passou apenas de uma mera sucessão de factos relacionados que geram coincidências, eu agradeço. Caso contrário, espero que achem, como eu, que isto não passa de uma história verídica mas, de uma história do Arco-da-Velha.
Também não me perguntem o que quer dizer uma história do Arco-da-Velha mas era uma frase muito usada pela minha avó e pela minha mãe para justificar coisas pouco normais...
Já agora, porque não foi o 12?
Sempre ouvi dizer que “à dúzia seria mais barato...”
